Alta de furtos e roubos preocupa no Cambuí; proposta de vereador em 2025 chega ao debate presidencial
Furtos e roubos no Cambuí, em Campinas, sobem 6,3%. Veja a atuação do Conseg e o debate sobre reconhecimento facial na segurança pública.

A caminhada até o café. Uma compra na Maria Monteiro. O jantar que termina com uma volta a pé. Parte do encanto do Cambuí está em ter tantos endereços e encontros por perto. Preservar essa experiência também passa pela segurança de quem vive, trabalha e circula pelo bairro.
Nesse debate, uma proposta apresentada em Campinas no começo de 2025 ganhou dimensão nacional: o uso de reconhecimento facial como ferramenta de segurança pública.
Em 5 de março daquele ano, foi divulgada uma indicação do vereador Nelson Hossri (PSD) solicitando à Prefeitura a implantação de reconhecimento facial e outros sistemas biométricos. A referência apresentada foi o Smart Sampa, programa de monitoramento da capital paulista.
Da discussão municipal à eleição presidencial
A tecnologia também aparece no programa de Flávio Bolsonaro (PL), candidato à Presidência no segundo turno.
No programa de Lula (PT) consultado, as propostas de segurança incluem integração das forças e inteligência, mas não foi localizada uma proposta equivalente de reconhecimento facial. O tema integra, portanto, o debate eleitoral, sem que isso represente uma posição comum entre os dois candidatos.
Para Campinas, a questão é entender como essa discussão se traduz em decisões, cobertura e resultados nos bairros.
A preocupação nos trajetos cotidianos
Em junho de 2026, uma mulher de 68 anos foi derrubada durante o roubo de uma corrente na região da Rua Maria Monteiro com a Avenida Coronel Silva Telles. A vítima precisou de internação em estado grave. A sequência de ataques atribuídos à chamada “gangue da correntinha” levou o assunto à reunião do Conselho Comunitário de Segurança do bairro.
Esses episódios merecem atenção, mas precisam ser acompanhados dos dados. O Cambuí registrou 218 furtos e roubos entre janeiro e abril de 2026, contra 205 no mesmo período de 2025 — aumento de 6,3%.
No conjunto de Campinas, houve redução de 28,87% nos roubos e de 9,29% nos furtos no mesmo recorte. O contraste mostra por que a melhora municipal não substitui o olhar sobre cada bairro. Esses números não permitem concluir qual parcela das ocorrências aconteceu durante o dia. A alta de furtos e roubos também não deve ser generalizada para todas as modalidades de violência.
O Conseg aproxima moradores e forças de segurança
A mobilização da comunidade já teve desdobramentos documentados. Em junho de 2026, uma operação conjunta das polícias Militar e Civil e da Guarda Municipal no Cambuí e no Centro foi organizada após pedidos apresentados por moradores em reunião do Conseg.
Eduardo Cruz, presidente do Conseg Cambuí, relatou demandas por mais policiamento, investigação, monitoramento e parceria com a sociedade. Entre os locais priorizados estavam o entorno do Centro de Convivência, a Maria Monteiro, a Coronel Silva Telles e o Largo Santa Cruz.
A integração de câmeras também faz parte da agenda comunitária. Em novembro de 2025, no contexto da criação da Associação Viva Cambuí, Cruz defendeu conectar equipamentos de condomínios e comércios a ferramentas de inteligência artificial e monitoramento em tempo real.
Marcos Dimarzio, presidente da associação, informou ter encaminhado à Prefeitura um pedido relacionado ao Smart Sampa. São manifestações distintas: a declaração de Cruz trata de integração e reconhecimento de comportamentos, sem constituir apoio específico à identificação facial.
O que já existe — e o que precisa ser esclarecido
Campinas já mantém uma rede de videomonitoramento. O Monitora Campinas permite compartilhar imagens externas de câmeras privadas com o Centro Integrado de Comando e Controle, o CICC. A descrição do serviço, porém, não comprova que esses equipamentos façam reconhecimento facial.
O município também registra uma iniciativa anterior, o projeto Cidade Segura, com tecnologia de reconhecimento facial em parceria com a Huawei. Esse histórico impede tratar o assunto como uma novidade que nunca chegou ao município.
Os materiais consultados não esclarecem quantos equipamentos operam atualmente com essa função, qual é a cobertura do Cambuí ou que resposta foi dada à indicação de Hossri.
Mais de um ano depois da proposta, essas são perguntas que merecem resposta pública. Uma eventual ampliação precisa apresentar avaliação técnica, custos, conferência dos alertas e proteção dos dados pessoais. Instalar câmeras, por si só, não garante redução dos crimes.
Para quem circula pelo Cambuí, acompanhar decisões e resultados ajuda a aproximar o debate daquilo que importa no cotidiano: caminhar, encontrar pessoas e aproveitar o bairro com mais tranquilidade.
Nota editorial: o material desta matéria foi extraído de conteúdos públicos, com finalidade informativa, sem favorecimento a qualquer candidato.
Fontes e imagens
Material extraído de conteúdos públicos, com finalidade informativa, sem favorecimento a qualquer candidato.
Foto: Prefeitura de Campinas.



Conversa com os leitores
Compartilhe sua experiência com respeito. Os comentários passam pela aprovação da redação. Não publique contatos ou dados pessoais.
Ainda não há comentários publicados. Que tal começar a conversa?
Escrever um comentário